CONSTRUÇÃO, EX_MACHINA E MIST



Nesse post temos música, ficção científica bem filosófica (do jeito que deve ser) e uma série sessão da tarde que também faz pensar nos nossos medos mais obscuros.
Sem querer querendo tudo se conectou em uma matéria sobre a essência do ser humano.


"Construção" de Chico Buarque.
 A maioria das músicas de Chico ensinam muito sobre o período da ditadura militar brasileira. "Construção" não foge disso mas exibe um lado mais humano do que social.
O tema da música é uma construção e ele a leva nesse ritmo.
A forma que os versos são montados passa a sensação de algo que vai e volta, como o período de uma obra. 
Outra marca é que todos versos terminam com proparoxítonas (última, único, tímido, mágico e assim vai).
Isso ajuda a ampliar a sensação de um trabalho de construção, onde os dias (versos) passam sem pequenas alterações (sonoras, no caso).

A música se divide em quatro partes.

1º - A ida aos trabalho: 

"Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido"

2º - No trabalho:

"Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima"

3º - Uma pausa:

"Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música"

4º - E o triste fim:

"E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão, atrapalhando o tráfego"

Nessas quatro partes iniciais a música se baseia em relatar o dia do trabalhador até sua morte.
No 5º e último verso ele usa de todas proparoxítonas para aumentar a carga metafórica e ao mesmo tempo condena a sociedade capitalista em que vivemos.
A morte do trabalhador é tratada como algo que atrapalha a construção. Uma sociedade de máquinas que pende a perder sua humanidade.
Esse final faz algo ainda maior e usando dessas metáforas ele "desconstroi" a realidade, criando situações ilógicas.Ex_Machina.5º e última parte:
"Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado".

5/5.




Ex_Machina.


Um filme escrito e dirigido por Alex Garland, diretor iniciante que conseguiu vencer o Oscar de Efeitos Visuais e uma Indicação em Melhor Roteiro Original.
Protagonizado por Domhnall Gleeson (General Hux - Star Wars ) e Oscar Isaac (Poe Dameron - Star Wars ) trás a história de um programador que é chamado por um gênio da robótica para realizar um teste de turing (com o intuito de perceber se o robo em questão é capaz de 'simular' sentimentos e pensamentos).
Durante o longa, o garoto vai se apaixonando por Ava, a robô. Ela o avisa que o cientista é mentiroso e que a maltrata. Ele se preocupa com ela e então planeja ajudar na sua fuga.
A partir daí somos jogados em dúvidas e questionamentos sobre a robô e o gênio. A dúvida que brota no garoto transcende a tela.
O que é real e o que é plantado?
Existem pensamentos reais na robô ou são todos simulados pelo gênio?
Um excelente filme na pegada de "isso é muito Black Mirror!" todo tempo.
Fora umas das melhores dancinhas que eu já vi realizada pelo Oscaar.

5/5.

The Mist.
Uma série planejada após o pequeno sucesso do longa lançado em 2007, traz elementos diferentes do filme, e que deixam a série com uma pegada bem própria.
O seriado conta com a mesma premissa do filme. Uma névoa que toma a cidade e esconde monstros horripilantes.
Nessa história, as criaturas são reflexos dos nossos maiores medos inferiores. 
Cenas emocionantes e segredos intrigantes com pequenos "twists" de plot é de enlouquecer.
Infelizmentei a expectativa de uma segunda temporada e nula.


3,5/5.

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