Persépolis: Uma narrativa incrivelmente humana, forte e atual
Persépolis
  
 Texto de Carol Caneva 
Professora de Ed.Física, integrante do grupo de pesquisa GESEF (Grupo de Estudos Socioculturais em Educação Física - UFRGS)      


Em 2007, no Oscar uma animação destoava das produções normalmente apresentadas na premiação, no meio dos bichinhos falantes dos famosos estúdios de Hollywood estava um desenho francês que contava a história de uma menina iraniana em meio a revolução islâmica em seu país e todas as consequências desse acontecimento em sua vida.

A animação é baseada na Graphic Novel autobiográfica de Marjane Satrapi, publicada em 2000 na França. ganhou várias edições ao redor do mundo e foi traduzida para inúmeros idiomas. 


A autora tem uma escrita bem humorada e extremamente inventiva. Ao mesmo tempo em que nos ensina sobre a cultura de seu país, o Irã, e as mudanças culturais que aconteceram após a revolução de 1979, onde radicais religiosos tomaram o poder e como isso mudaram as relações da protagonista com a sociedade e dela consigo mesma.
Os desenhos da autora, são simples, sem técnicas rebuscadas, porém a arte serve perfeitamente a narrativa e a potencializa nos momentos mais dramáticos, alegres ou líricos.

Questões como religiosidade, política e filosofia são tratadas ao longo de toda a HQ, mas nunca de maneira distante ou puramente acadêmica e sim com uma visão muito mais pessoal, de alguém que está aprendendo na prática essas várias facetas da vida e refletindo sobre elas.

A revolução e as mudanças


Antes da revolução islâmica no Irã, temos alguns vislumbres do cotidiano de Satrapi e sua família em um país "ocidentalizado e laico". A protagonista é de uma família com um nível econômico confortável, isso faz com que ela tenha certos questionamentos de cunho social, "porque nem todos tem um cadillac como meu pai?" "porque a empregada não come com a gente?" detalhes narrativos que irão definir a personalidade dela ao longo de toda vida.

Antes da revolução o Irã tinha costumes muito parecidos com que havia na Europa dos anos 70, com um nível de liberação relativamente alto se comparado ao que viria depois da revolução. 

Satrapi estuda em um colégio Francês laico e misto, tendo amigos e amigas livremente. Enquanto a revolução toma as ruas contra o regime do Xá, Satrapi, ainda pequena, sente nela própria um sentimento revolucionário crescer, com um forte viés socialista. Quando o Xá finalmente é retirado do poder, não são os socialistas que ascendem ao poder como a menina esperava mas sim uma elite religiosa radical. 
Uma das primeiras mudanças que a protagonista sente após os religiosos extremistas chegarem ao poder no Irã é na escola onde os colégios bilíngues são proibidos assim como as escolas mistas e o fechamento de faculdades
O uso de véu se torna obrigatório para as meninas, e ela se vê separada de amigos tendo que usar um novo acessório. Aquilo tudo não fazia nenhum sentido para a protagonista.

As mudanças na sociedade iraniana continuaram de maneira rápida e radical.

Regras de vestimentas, de comportamento e ideológicas se tornaram cada vez mais severas assim como as punições para quem as quebrasse. A situação do país se agravou com a guerra contra o Iraque. E com medo de que algum mal acontecesse com a filha amada os pais resolvem mandar Satrapi para a Europa.


A ida para a Europa, o velho mundo e novos comportamentos

Aos 14 anos Satrapi chega à Áustria, agora morando em um pensionato e tendo que se adaptar a vida sem os pais e aos novos costumes. Com certa dificuldade a protagonista acaba fazendo novos amigos e procura entender essas novas relações sociais tão diferentes das que possuía no Irã. A personagem consegue testemunhar as diferenças entre sua cultura natal e a européia, através das observações que faz de uma amiga, compreende melhor o que significava afinal a “liberação sexual”.

A solidão torna-se um sentimento constante para protagonista que procura inúmeras tentativas de conseguir se apropriar desse novo ambiente onde está inserida. 

Depois de 1 ano e meio, neste novo universo, Satrapi adota um visual punk, se vê às voltas com drogas e uma cultura Hippie, buscando formas de pertencer a esse novo mundo. Associados a todas essas mudanças ela também sofre com o preconceito contra imigrantes e uma grande desilusão amorosa.


Por alguns meses a protagonista chega a viver na rua, procura comida no lixo e tenta continuar viva.
Depois dessas experiências traumáticas ela resolve voltar ao Irã e se reconfortar com sua família. para isso foi preciso abrir mão de sua liberdade individual e social, conquistadas na Áustria "...precisava voltar para a casa". Foram 4 anos intensos vivendo na Áustria.

A volta do véu


Na volta ao Irã Satrapi nota algumas diferenças, no embarque teve que voltar a usar o acessório que tanto lhe causava estranhamento, e ao chegar no aeroporto iraniano sente o clima de repressão presente na sua terra natal. Logo na chegada ao seu antigo lar ela também nota diferenças, agora pessoais, seu quarto com temas punks, decorado quando ela tinha 14 anos já não a representa mais, tendo passado por tanta coisa ao longo desses últimos 4 anos. Os ídolos e gostos da pequena menina já não mais refletiam sua personalidade, seus pensamentos e sentimentos.

Satrapi percebe que seu problema de pertencimento e identidade ainda não estavam resolvidos, se na Áustria sentia que quase todos a desprezavam como uma imigrante, no Irã sentia que os outros a julgavam como uma " mulher ocidentalizada imoral".

Esses e outros dilemas se acumularam e deste modo, ao que parece, Satrapi ao voltar ao Irã pode analisar o seu passado e começar a encarar o futuro com novos olhos. Com muitos percalços no caminho a protagonista consegue atingir certo equilíbrio na vida, adquirindo novos hábitos. 


Ao se tornar professora de ginástica, faz novos amigos, conhece um novo amor, entra para a faculdade de belas artes, onde se forma com louvor. 
O tempo passa e após 6 anos em seu país natal ela decide que é hora de mudar para a França onde poderia definitivamente, viver com total liberdade e encontrar a plenitude de vida que almejava.

Satrapi vive na França até hoje trabalhando como Quadrinista e ilustradora.


A narrativa de Persépolis é humana, forte e surpreendentemente atual e proporciona ao leitor a visão de Satrapi sobre sua cultura, e as diferentes batalhas traçadas ao longo de sua vida
.


Roteiro: 9,5
Arte: 8
Protagonista : 10
Nota final: 9.16

Lembra da Epic Marvel? Selecionamos os 3 melhores hqs do selo autoral da Marvel


Depois de fazer a lista sobre a Vertigo recebemos muitas cartinhas de marvetes enlouquecidos nos acusando de puxar o saco da DC e nos intimaram a fazer uma lista da precursora dos selos adultos, a Epic Comics.Então relembramos aqui as nossas HQs favoritas do selo autoral da Marvel.


Moonshadow


Moonshadow conta a história de um ser "semi-deus" espacial em um universo místico e fantástico. Junto com a história de Moonshadow também é contada a história de sua mãe em uma viagem para lá de hippie nos anos 60.
Escrita por J.M. DeMatteis e ilustrada por Jon J. Muth foi publicada na Epic a partir de 1985.
Antes de Sandman e da Vertigo trilharem esse caminho DeMatteis foi precursor nesse tipo de narrativa no mercado Americano.
Moonshadow também foi pioneiro na parte gráfica, foi o primeiro quadrinho ilustrado inteiramente com pinturas nos Estados Unidos.

DreadStar


HQ de Jim Starlin,  foi Publicada na Epic Comics em 1982. As histórias são centradas nas façanhas de um grupo de heróis estelares meio Star Wars meio X-Men. Em uma Guerra entre a Monarquia galáctica e a Igreja da Instrumentalidade, Vanth (o herói protagonista)  junto com seus companheiros tentam se safar e levar a melhor do jeito que podem.
Essa HQ é toda Starlin, se na Marvel regular ele já fazia coisas que deixavam os editores de cabelo em pé aqui é a chance de ver o quadrinista sem nenhuma amarra.

Marshal Law


Marshal Law é um personagem de histórias em quadrinhos criado em 1987 pelos britânicos Pat Mills (roteirista) e Kevin O'Neill (desenhista). O protagonista da  série é Joe Gilmore, um ex-soldados com superpoderes criado pelos Estados Unidos para lutar na Guerra.
Ele precisa se readaptar à vida civil (meio Rambo) em uma São Francisco futurista.
Acaba pegando emprego de "policial" de super-seres transgressores (meio The Boys de Garth Ennis).

Você também gostava dos Quadrinhos da Epic? Ela devia voltar? É melhor que a Vertigo? Deixe seu comentário.
Escolhemos nossas 6 séries favoritas do selo Vertigo

Com o anúncio feito pela DC do fim do selo Vertigo em 2020, completando quase 30 anos, nós resolvemos indicar 6 das nossas séries favoritas do selo. Mas já deixamos aqui a nossa previsão: Esse fim do selo Vertigo com certeza é temporário e daqui um tempo vai voltar.


Preacher

Uma das séries mais queridas dos leitores da Vertigo, Preacher conta a história de Jesse Custer,  um pastor sem fé que ganha, por acaso, um poder caído do céu e se vê às voltas com demônios, anjos e vampiros e outras coisas ainda mais bizarras.
Com personagens carismáticos e um roteiro quase sempre dinâmico e perturbador ainda hoje é referência quando se fala em Vertigo.
Escrita por Garth Ennis e desenhada por Steve Dillon (dupla de Hitman). Lançada em 1995 é composta por 75 edições.

Hellblazer

O investigador do oculto John Constantine foi
criado por Alan Moore para aparecer nas histórias do Monstro do Pântano, o personagem acabou arrebatando os leitores e ganhou série  própria.
É a série mais longa da Vertigo.
Passou pelo personagem ao longo dos anos autores como Garth Ennis (antes de começar em Preacher), Paul Jenkins, Warren Ellis e Brian Azzarello.

Sandman

O maior ícone do selo Vertigo Sandman se tornou uma das mais renomadas HQs de todos os tempos. Escrita por Neil Gaiman (Livros da Magia)  e desenhada por inúmeros artistas: Bill Sienkiewicz, Charles Vess, Milo Manara e muitos outros. A história acompanha a saga do rei do sonhar e sua interação com um universo vasto e enigmático. Começou a ser publicada em 1988 e foi até 1996 contando com 75 edições.


V de vingança

Originalmente foi publicada em uma revista Britânica em 1983,  a série inacabada foi ressuscitada pela Vertigo em 1988, Alan Moore (Watchmen)  junto com os desenhistas David Lloyd e Tony Weare finalizaram a série. A história se passa em um futuro distópico que mostra uma Inglaterra fascistas e as ações de um anti-herói contra o sistema. Questões político-filosóficas são abordadas como é costume nas obras de Moore e a arte de Lloyd, principalmente nos primeiros números, é muito peculiar, originalmente  toda em preto e branco.

Os Invisíveis

Publicada pela Vertigo de 1994 a 2000,  é a obra-prima de Grant Morrison (Homem-Animal). O autor faz um mesclado amalucado com universos paralelos,  Mitologia, sociedades secretas e cultura pop.
Ela é lembrada muitas vezes pela declaração polêmica de Morrison de a série tinha sido passada para ele por alienígenas que o haviam abduzido.

Y, o último Homem

A história conta como seria o mundo quando uma praga o atinge matando todos os mamíferos machos da Terra. O protagonista, Yorick Brown se torna o único homem que sobrevive ao evento.
Em um mundo Pós-apocalíptico vemos a sociedade se reorganizar de maneira caótica. Embora o tema em sí seja bem sério na série existe bastante situações cômicas enquanto acompanhamos as desventuras de Yorick.
Escrita por Brian K. Vaughan (Saga) e arte de Pia Guerra.

E você? Também vai sentir falta da Vertigo? Qual a sua série favorita do selo que nao está aqui? Comente aí :-)

5 Histórias do Homem-Aranha que você tem que ler!

longe de casa

O novo filme do Homem-Aranha "Longe de Casa" vai estrear no cinema e o site resolveu esquentar os motores e eleger as nossas 5 histórias favoritas do herói que todo fã do herói deveria ler.


"Se esse for meu destino"


Um arco pequeno do início da carreira do Aranha, foi publicada originalmente em 1963, argumento e arte de Steve Ditko e o roteiro de Stan Lee, na Amazing Spider-man #31 #32 #33. Nele o Aranha tem que enfrentar bandidos que roubam materiais para construir uma bomba nuclear, Dr. Octopus e ainda lidar com a situação da Tia May estar internada no hospital quase morrendo. O  #33 possuí aquela memorável sequência em que o Homem-Aranha está soterrado pelos escombros da base subaquática do vilão e precisa reunir toda sua vontade para se libertar. Nessas páginas está capturada a verdadeira essência do personagem.

A morte de Gwen Stacy


Marco dos Quadrinhos, a história que mostra a morte do primeiro amor da vida de Peter Parker é a morte definitiva da inocência nos Gibis e também marca o início definitivo da era de Bronze dos Quadrinhos. Gwen acaba morta em meio ao que seria o último combate do herói contra o Duende Verde (Norman Osborn). Escrita por Gerry Conway e desenhada por Gil Kane.

A Última caçada de Kraven


Muitos dizem que  JM Dematteis escreveu aqui a melhor história do Homem-Aranha de todos os tempos. O clássico vilão Kraven surge com um plano maligno para superar o único adversário que ele nunca conseguiu superar. A história é pesada, bem diferente das histórias usuais do herói. Desenhada por Mick Zeck grande parceiro de Dematteis.

O menino que colecionava Homem-Aranha


Escrita por Roger Stern, desenhada por Ron Frenz, e uma história curta em que o herói vai visitar seu maior fã. O herói  tira dúvidas e até revelar sua verdadeira identidade. Ganhou destaque por ser uma história com forte apelo humano, quando no final é  revelado que o menino só tem mais alguns dias de vida devido a leucemia. Originalmente publicada em The Amazing Spider-Man #248 em 1984.

A criança dentro de nós


Arco de histórias escrito por JM Dematteis e desenhado por Sal Buscema é quase uma continuação direta de "A Última Caçada de Kraven". Dematteis voltou a escrever o herói depois de alguns anos e nele prova porque é um dos maiores escritores do herói. Uma aventura muito estruturada que se aprofunda na psique do herói e dos vilões Duende Verde (Harry Osborn) e Rattus.

Gostou da lista? Não? Comente aí qual a sua história favorita que ficou faltando aqui nessa lista.

Café com Gibi nos Agregadores
podcast, nerd, geek,gibi, hq,quadrinho,

Café com Gibi é o podcast do site Oldie Nerd e conta com a produção e apresentação de Giovanni Beneditto e Luciano Xaba, assim como a participação de amigos e colaboradores espalhados pelas redes ou não.

Falamos de tudo um pouco, cinema, séries, quadrinhos, e outras coisas.

Café com Gibi, agora está em muitos aplicativos de Podcast, qualquer um pode escolher o seu melhor.


Também fazemos partes da rede gaúcha de podcasts, a PODCASCHÊ, só entrar lá, nos encontrar juntos de uma variada opção de podcasts.
Agora faz assim,escolhe o que mais ti satisfaz e acompanha a gente falando merda e besteira no podcast mais varzeano e desnecessário da podosfera.
Olha a lista ai.

Spotify

iTunes


Google Podcast

Anchor

Breaker


Cast Box


Pocket Casts


PodBean


RadioPublic

Então é assim, ta fácil de escutar a gente.
Não esquece de curtir e compartilhar, isso ajuda muito.
Nosso mais sincero obrigado.
Café com Gibi 22: Trailer e Expectativa
rambo, exterminador, superman, batman, homem-aranha

Mais uma vez, sem nada pra fazer, resolvemos debater alguns trailers e noticias pra como sempre, não chegar a lugar nenhum.

Luciano Xaba, Giovanni Beneditto e Antonio Bergamasco, discutem sobre escolhas para o homem morcego, um possível Superboy entre outras coisas.

Escutem e tirem suas próprias conclusões. 

E mais.
- Stallone poderia ser o novo Eastwood?
- Quem deveria substituir Pattinson?
- Quem pode fazer uma Liga da Justiça que funcione?
Não se esqueça de entrar no site Podcastchê.




   
Café com Gibi 21: Game of Thrones da depressão
Game of Thrones, Got, R. R. Martin

Game of Thrones, ou GoT para os íntimos, acabou, e deixou muita gente desapontada, triste, revoltada, com vontade de por fogo na P*rr@ toda, e teve muita explicação pra isso.

Nesse episódio, Giovanni Beneditto, Luciano Xaba, Antonio Bergamasco e Andreas Buhler, falam tudo que pensam sobre essa série que movimentou a internet, e uma breve participação de Laura Pacheco.

E mais:
- Quanto tempo se pode perder com GoT?
- Se pode ter ódio e chorar por Game of Thrones?
- O Giovanni pode fazer nos podcasts dos outros?
Links
Sabonetes veganos da Laura: Antsoap
Site do Andreas: Variações de um nerd
Episódio com a participação do Xaba: Game of Thrones
Rede gaúcha de podcast: Podcastchê


  

Sr. Milagre de Tom King e Mitch Geralds

Sr. Milagre personagem criado pelo lendário  Jack Kirby junto com os Novos Deuses, Darkseid e todo 4°Mundo, nunca teve destaque no mundos dos Quadrinhos embora em muitos períodos tivesse participações recorrentes nas revistas da DC.


Em 2017 Tom King, elogiado autor por ter feito uma grande passagem na revista do Visão apresentou esse projeto de arco de histórias com o personagem junto com o desenhista Mitch Gerads, que já havia trabalhado com King em "Sheriff of Babylon". E o que a dupla conseguiu foi uma das melhores Histórias em Quadrinhos da década.


Sr. Milagre e a família problema

A história contada por Tom King consegui tantos elogios por inúmeros motivos, mas os principais são que o autor consegue revelar muito do lado humano mesmo em seres quase divinos e super poderosos, seus medos e neuroses são explorados ajudando a narrativa a evoluir. Fora isso o lado mitológico e revisitado por King como desde suas histórias com Kirby não tinha sido feito. As relações entre Sr. Milagre,  Grande Barda, Órion e os novos deuses e o perigo palpável e ao mesmo tempo etéreo representado por Darkseid são pontos altos das 12 edições.

Em Sr. Milagre Mitch Geralds desenha  sequências incríveis e tocantes

Se por um lado King conseguiu abarcar várias facetas na narrativa dos personagens, a arte de Geralds está inspirada. As sequências estão cinematográficas, com o design das páginas em 9 quadros, passam uma experiência gratificante tanto nos momentos pessoais ou épicos, dramáticos ou de ação.

Roteiro:9
Arte:9
Grande Barda:10
Fugas milagrosas:10
Nota final: 9.5