quinta-feira, 19 de maio de 2022

O filme Conta Comigo e suas sutis lições

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O filme "Conta Comigo"  (Stand by Me, 1986) é sem dúvida, na minha humilde opinião, um dos melhores filmes, é o que eu mais gosto por vários motivos e eu vou listar agora alguns deles e o porquê.

Conta Comigo é um filme baseado em um conto de Stephen King, O Outono da Inocência — O Corpo, do livro as quatro estações, e recebe o nome de "Stand by Me" que é o nome de uma música de Ben E. King e está presente na trilha sonora do longa.

Na história do filme, o personagem principal, Gordie, relembra, uma história que viveu junto dos amigos, quando tinha 12 anos, após ler no jornal que seu amigo, Chris Chambers, havia sido morto.



O filme começa com Gordie adulto, narrando os eventos, e em vários momentos a uma narração em off, e termina ele contando o que aconteceu com os outros amigos, Teddy Duchamp e Vern Tessio.

Agora vamos ter spoilers, então se você ainda não viu o filme, tenha essa experiência e se divirta e preste atenção nas lições e volte aqui para continuar a ler.

Conta Comigo e Stand by Me



A música que dá nome ao filme já é uma das sutis lições que temos nesta obra, pois a música, aquele que canta diz que não importa o que aconteça de ruim, não terá medo, desde que para quem ele canta fique com ele, e acrescenta falando que, se acontecer algo de ruim para essa pessoa, que ela fique com ele.

"Whenever you're in trouble, won't you stand by me
Oh stand by me
oh won't you stand now?
stand by me"

Temos a ideia de apoio mútuo entre duas pessoas, que mostra que podemos ter alguém para passar por momentos de dificuldade.

Em Conta Comigo, a amizade é o elo forte



Como foi dito antes, personagem principal relembra um momento da sua adolescência no verão de 59, onde ele e mais três amigos saindo uma aventura.

E durante esta jornada passamos, junto com os personagens, por momentos de descoberta, principalmente em sua forte relação de amizade.

Em uma cena temos Chris, falando com Gordie, que ele deve ir para uma escola melhor, já que Gordie não quer ir, para ficar perto dos amigos.

 Nesse momento vemos que a amizade entre os dois é tão forte que Chris quer o melhor para o amigo incentivando ele a ter o melhor estudo e quem sabe se tornar um grande escritor, ao mesmo tempo que consola o amigo que não tem este mesmo apoio dos pais.

Em outra cena temos Chris e Teddy em uma discussão acalourada, que termina com os dois adolescentes se desculpando e nos passando a impressão de que apesar das desavenças e opiniões contrárias a amizade honesta é mais forte.

Temos ainda as várias brincadeiras no grupo sempre escolhendo um alvo diferente entre eles para aquela boa "zoada" entre amigos sabendo que aquilo ali é apenas uma brincadeira em que a vítima da brincadeira sabe que aqueles amigos jamais falariam fariam algo para magoá-lo.

E é claro que vemos o grupo inteiro se unir contra o inimigo em comum quando um deles é ofendido.

O ponto principal, é que a amizade daqueles adolescentes é a coisa mais forte naquele momento.

A fragilidade da vida aparece em vários momentos de Conta Comigo 



A história do filme conta que os 4 amigos saíram para encontrar um adolescente que havia sumido há 3 dias e através de uma informação, descobrem que este adolescente está morto a beira do trilho do trem.

A partir daí temos vários momentos onde a vida se mostra frágil.

Seja na perseguição de um cachorro feroz, na ameaça iminente de morte de um grupo maior e mais forte contra os amigos, na aproximação de um trem que pega os garotos desprevenidos em cima dos trilhos ou nos perigos da noite.

E aqui temos o personagem principal lidando com a morte do irmão mais velho.

Lutar por seus objetivos



Ao fim da história do filme vimos que vários personagens não desistiram de seus objetivos, conseguindo ou não, devemos sempre tentar, lutar.

Chris, que vem de uma família sem grandes expectativas onde ele mesmo é desacreditado por todos ao ponto de quase não acreditar em sí mesmo, foi contra todas as opiniões, estuda e vira um advogado respeitado.

Teddy, continuou a tentar se alistar no exército, mesmo com dificuldades, visuais e auditiva.

Vern constituiu uma família, trabalha e a vida que seguiu.
Gordie se torna um escritor.

No fim do filme, vimos que ao encontrar o corpo do adolescente, outro grupo chega e tenta levar o corpo e assim ganhar a fama de ter encontrado, é quando Gordie, se impõe mesmo quando é ameaçado com uma faca, e se nega a deixar o outro grupo, mais forte e mais numérico, levar o adolescente e tirar deles o mérito de ter encontrado o garoto.

A experiência vale mais que a fama



Depois que o grupo de amigos consegue expulsar o outro grupo e ficar com o corpo do adolescente, para levar a cidade e ser conhecido como os meninos que acharam o corpo de Ray Brower.

É quando eles decidem ficar no anonimato, fazendo uma ligação para polícia e dando a localização do corpo.

Assim, os quatro amigos, depois de ter passado por um pântano de sanguessugas, fugirem do cão raivoso e de um trem, terem sido ameaçados por um grupo violento, eles decidem não receber essa fama e ficar apenas com a experiência e as lembranças daqueles dois dias de jornada de onde saíram de uma cidade pequena até aquele momento onde viram um adolescente que tinha mais ou menos a idade deles, morto.

A voltarem para a cidade, esta mesma parecia diferente para eles, justamente por tudo aquilo que eles passaram, viveram e descobriram sobre eles mesmos.

Pequenas lições, Mas que recebemos, e provavelmente uma mente mais atenta irá assistir esse filme e retirar outros momentos importantes.

Ao fim do filme recebemos a frase escrita por Gordie que diz:
Eu nunca mais tive amigos os que como eu tive quando tinha 12 anos.
Meu Deus, e alguém tem?
Quando começa a música Stand by me.



Café com Gibi 60: INdicaFÉ




 Nesse episódio:

Indicamos quadrinhos para a audiência.


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quarta-feira, 18 de maio de 2022

Café com Gibi 59: O maior dilema de Spiderman


 

Nesse episódio:

Exploro a cena que, em minha opinião, exibe a melhor representação do significado da frase "Grandes Poderes, Grandes Responsabilidades".

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Persépolis: Uma narrativa incrivelmente humana, forte e atual
Persépolis
  
 Texto de Carol Caneva 
Professora de Ed.Física, mestranda e integrante do grupo de pesquisa GESEF (Grupo de Estudos Socioculturais em Educação Física - UFRGS)      

Em 2007, no Oscar uma animação destoava das produções normalmente apresentadas na premiação, no meio dos bichinhos falantes dos famosos estúdios de Hollywood estava um desenho francês que contava a história de uma menina iraniana em meio a revolução islâmica em seu país e todas as consequências desse acontecimento em sua vida.

A animação é baseada na Graphic Novel autobiográfica de Marjane Satrapi, publicada em 2000 na França. 

"Persépolis" ganhou várias edições ao redor do mundo e foi traduzida para inúmeros idiomas. 


A autora tem uma escrita bem humorada e extremamente inventiva. Ao mesmo tempo em que nos ensina sobre a cultura de seu país, o Irã, e as mudanças culturais que aconteceram após a revolução de 1979, onde radicais religiosos tomaram o poder e como isso mudaram as relações da protagonista com a sociedade e dela consigo mesma.

Os desenhos da autora, são simples, sem técnicas rebuscadas, porém a arte serve perfeitamente a narrativa e a potencializa nos momentos mais dramáticos, alegres ou líricos.

Questões como religiosidade, política e filosofia são tratadas ao longo de toda a HQ, mas nunca de maneira distante ou puramente acadêmica e sim com uma visão muito mais pessoal, de alguém que está aprendendo na prática essas várias facetas da vida e refletindo sobre elas.

A revolução e as mudanças



Antes da revolução islâmica no Irã, temos alguns vislumbres do cotidiano de Satrapi e sua família em um país "ocidentalizado e laico". 

A protagonista é de uma família com um nível econômico confortável, isso faz com que ela tenha certos questionamentos de cunho social, "porque nem todos tem um cadillac como meu pai?" "porque a empregada não come com a gente?" detalhes narrativos que irão definir a personalidade dela ao longo de toda vida.

Antes da revolução o Irã tinha costumes muito parecidos com que havia na Europa dos anos 70, com um nível de liberação relativamente alto se comparado ao que viria depois da revolução. 

Satrapi estuda em um colégio Francês laico e misto, tendo amigos e amigas livremente. Enquanto a revolução toma as ruas contra o regime do Xá, Satrapi, ainda pequena, sente nela própria um sentimento revolucionário crescer, com um forte viés socialista. 

Quando o Xá finalmente é retirado do poder, não são os socialistas que ascendem ao poder como a menina esperava mas sim uma elite religiosa radical. 

Uma das primeiras mudanças que a protagonista sente após os religiosos extremistas chegarem ao poder no Irã é na escola onde os colégios bilíngues são proibidos assim como as escolas mistas e o fechamento de faculdades

O uso de véu se torna obrigatório para as meninas, e ela se vê separada de amigos tendo que usar um novo acessório. Aquilo tudo não fazia nenhum sentido para a protagonista.

As mudanças na sociedade iraniana continuaram de maneira rápida e radical.

Regras de vestimentas, de comportamento e ideológicas se tornaram cada vez mais severas assim como as punições para quem as quebrasse. A situação do país se agravou com a guerra contra o Iraque. E com medo de que algum mal acontecesse com a filha amada os pais resolvem mandar Satrapi para a Europa.


A ida para a Europa, o velho mundo e novos comportamentos


Aos 14 anos Satrapi chega à Áustria, agora morando em um pensionato e tendo que se adaptar a vida sem os pais e aos novos costumes.

Com certa dificuldade a protagonista acaba fazendo novos amigos e procura entender essas novas relações sociais tão diferentes das que possuía no Irã. 

A personagem consegue testemunhar as diferenças entre sua cultura natal e a européia, através das observações que faz de uma amiga, compreende melhor o que significava afinal a “liberação sexual”.

A solidão torna-se um sentimento constante para protagonista que procura inúmeras tentativas de conseguir se apropriar desse novo ambiente onde está inserida. 

Depois de 1 ano e meio, neste novo universo, Satrapi adota um visual punk, se vê às voltas com drogas e uma cultura Hippie, buscando formas de pertencer a esse novo mundo.

Associados a todas essas mudanças ela também sofre com o preconceito contra imigrantes e uma grande desilusão amorosa.



Por alguns meses a protagonista chega a viver na rua, procura comida no lixo e tenta continuar viva.

Depois dessas experiências traumáticas ela resolve voltar ao Irã e se reconfortar com sua família. para isso foi preciso abrir mão de sua liberdade individual e social, conquistadas na Áustria "...precisava voltar para a casa". Foram 4 anos intensos vivendo na Áustria.

A volta do véu



Na volta ao Irã Satrapi nota algumas diferenças, no embarque teve que voltar a usar o acessório que tanto lhe causava estranhamento, e ao chegar no aeroporto iraniano sente o clima de repressão presente na sua terra natal. 

Logo na chegada ao seu antigo lar ela também nota diferenças, agora pessoais, seu quarto com temas punks, decorado quando ela tinha 14 anos já não a representa mais, tendo passado por tanta coisa ao longo desses últimos 4 anos.

Os ídolos e gostos da pequena menina já não mais refletiam sua personalidade, seus pensamentos e sentimentos.

Satrapi percebe que seu problema de pertencimento e identidade ainda não estavam resolvidos, se na Áustria sentia que quase todos a desprezavam como uma imigrante, no Irã sentia que os outros a julgavam como uma " mulher ocidentalizada imoral".

Esses e outros dilemas se acumularam e deste modo, ao que parece, Satrapi ao voltar ao Irã pode analisar o seu passado e começar a encarar o futuro com novos olhos. 

Com muitos percalços no caminho a protagonista consegue atingir certo equilíbrio na vida, adquirindo novos hábitos. 

Ao se tornar professora de ginástica, faz novos amigos, conhece um novo amor, entra para a faculdade de belas artes, onde se forma com louvor. 


O tempo passa e após 6 anos em seu país natal ela decide que é hora de mudar para a França onde poderia definitivamente, viver com total liberdade e encontrar a plenitude de vida que almejava.

Satrapi vive na França até hoje trabalhando como Quadrinista e ilustradora.


A narrativa de Persépolis é humana, forte e surpreendentemente atual e proporciona ao leitor a visão de Satrapi sobre sua cultura, e as diferentes batalhas traçadas ao longo de sua vida
.


Roteiro: 9,5
Arte: 8
Protagonista : 10
Nota final: 9.16

terça-feira, 17 de maio de 2022

Café com Gibi 58: Razão da Existência

 


Nesse episódio:

Debatemos através da ótica do artista Zima Blue a razão do viver e o propósito de cada individuo.

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segunda-feira, 16 de maio de 2022

Café com Gibi 57: Gibi na Alfabetização

Nesse episódio:

Lucantropus e Xaba comentam sobre os pontos positivos do uso dos quadrinhos na educação infantil.


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domingo, 15 de maio de 2022

Por onde começar a ler Histórias em Quadrinhos?
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Seguinte, se tu por acaso tem vontade de ler quadrinhos, e não sabe por onde começar, vou dar umas idéias. Algo pra ajudar a entrar no mundo dos Gibis.

São dicas particulares, que podem ajudar.
Não vou dizer exatamente qual gibi ou qual personagem você deve pegar pra ler, a idéia é aqui é te fazer descobrir o melhor caminho, teus gostos e assim  decidir qual a melhor maneira de começar.


Para comecar a ler quadrinhos vale pegar dicas com o dono da banca


O caminho mais curto na minha opinião, é começar a ler os quadrinhos que estão na banca. Pode ser meio confuso, mas tu não tem que procurar muito, teste a sorte, caso não conheça nada, escolha algumas coisas de diferentes editoras, e se pá acha algum personagem ou artista que te agrade. 

Vale até perguntar para o cara da banca, de repente ajuda.

O outro modo, é pedir emprestado para um amigo, ou conhecido, sempre tem alguém no teu meio que gosta de quadrinhos. Pode pedir a opinião dele, pedir alguma indicação,  pega alguns  e conforme vai lendo, vai filtrando aquilo que mais gosta. 

O problema é que tu fica a mercê do gosto do amigo, e isso pode influenciar teus gosto e privar você de conhecer personagens e artista diferentes.


E na minha opinião, a melhor maneira de tu começar a ler e achar aquilo que mais se identifica contigo, é pesquisando. 

Você acaba recebendo boas informações e decide sozinho o que e por onde começar.

Tu pode procurar sites especializados, que mantém uma biblioteca de informação, onde  pode conhecer sagas boas, por onde pode iniciar teu caminho, e quando surgir a dúvida sobre algum personagem, tu pode voltar ao site e pesquisar algum arco de historia que desmonte tua dúvida.

Pode também procurar em sites de quadrinhos, sobre curiosidades e informações. 

Lendo sobre alguns personagens, arcos de historias ou os artistas deste meio, fica muito mais fácil de encontrar aquele gibi com uma identidade que ti chame a atenção e despertar tua curiosidade sobre o tema que cada historia aborda e até mesmo as marcas registradas de cada autor ou desenhista.




Fazendo  diferenciar os personagens de cada editora e suas linhas cronológicas. É um ótimo lugar pra se conhecer os detalhes deste universo, descobrir os grandes clássicos de cada personagem, e está aí uma ótima maneira de começar a ler, pelos clássicos.

E nestes sites você encontra muitas informações e notícias e fica muito fácil de criar uma opinião sobre o assunto.

No site Oldie Nerd tu encontra muita curiosidade pra conhecer melhor os personagens, os gibis e os artistas, e tem também um pouquinho de informação.

Tem os podcasts "Os Escapistas" e Os "7 Jagunços da derrota"  que sempre trazem  ótimos programas sobre Quadrinhos, seus autores e muitas curiosidades.



É claro que tem uma enorme gama de lugares pra procurar, por isso.

Então, vai lá, escolha a melhor maneira de começar a ler Quadrinhos
 e boa leitura.