quinta-feira, 2 de junho de 2022

Os Leões de Bagdá, conheça o emocionante Quadrinho de Brian K. Vaughan

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No ano de 2003, durante a invasão americana ao Iraque, tropas Americanas bombardearam várias cidades, entre elas é claro, Bagdá, capital do Iraque, e nesse processo, um alvo inesperado, o zoológico da cidade foi atingido, matando, ferindo e libertando alguns animais, inclusive 4 leões.

Aqui, temos uma história de ficção, Leões de Bagdá (Pride of Baghdad 2006), publicada no Brasil em 2008 e uma edição de luxo em 2018, publicada pela Panini.

Leões de Bagdá conta esse acontecimento, com olhos mais sensíveis e acompanhamos uma aventura de descobertas nas mãos de Brian K. Vaughan e Niko Henrichon.



A arte de Leões de Bagdá por Niko Henrichon

Desenhada por Niko Henrichon, esse quadrinho, acompanha de forma a trajetória desse animais em seu último dia de cativeiro rumo a liberdade.

Os desenhos de Henrichon trabalham com uma textura que faz sua arte parecer tangível, o leitor consegue sentir o clima, o ambiente, por vezes, os tons avermelhados dão a sensação de poeira no ar, e as páginas com tons esverdeados, aquele alívio de ar puro, nós levando a sentir o que os leões sentem.

Essa e outra característica interessante no traço de Niko Henrichon, que em alguns momentos pode parecer, na minha visão leiga, mal finalizada, mas mesmo assim é  muito expressiva.

Conseguimos identificar cada personagem dentro da história, e a expressão fácil, mesmo em feras como leões, macacos, servos, ursos e pássaros, é tão emocional, é possível entender, raiva, medo, e felicidade naqueles animais.



Brian K. Vaughan faz um épico em Os Leões de Bagdá 


Na história escrita por Vaughan, vemos os leões planejarem sua liberdade, onde o acaso (e o caos da guerra) providenciou um caminho.

Os 4 leões, percorrem uma cidade devastada, abandonada pelos humanos que acaba se tornando a savana quase selvagem para aqueles animais.

Lemos e entendemos as preocupações, os desejos e as angústias deles.

Brian K. Vaughan conta uma história de descoberta, sobrevivência e liberdade, com a habilidade que já é conhecida.


Leões de Bagdá, pintura e poema para a Liberdade


Esses dois artistas nos levam por cada página, como uma pintura e um poema selvagem, rumo ao horizonte, a liberdade.

Assim como o início da história, temos os fatos, e o desenvolvimento são apenas suposição literárias e poéticas, no encerramento desta aventura tudo nos é mostrado. 

A realidade como é, e não como gostaríamos que fosse.

Mas aqui não vou dar mais Spoilers, se te bateu a curiosidade sobre a HQ aconselho que vá ler, pois essa Leões de Bagdá é um daqueles Gibis que justificam as Histórias em Quadrinhos serem chamadas de 9° Arte.







terça-feira, 31 de maio de 2022

segunda-feira, 30 de maio de 2022

Café com Gibi 67: Expectativas S4 True Detective


 Nesse episódio:

Lucas e Giovanni revelam suas expectativas sobre a nova temporada de True Detective.

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A Sociedade de Star Trek é Comunista?


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Texto do amigo Eduardo Pacheco Freitas, Historiador

A Federação  é comunista?

O questionamento presente no título desse texto é, frequentemente, objeto de debates entre os fãs de Star Trek ou até mesmo de ficção científica em geral.
Vale lembrar que Star Trek é uma série diferente das outras produções do mesmo gênero, já que nos apresenta um futuro utópico em vez dos onipresentes futuros distópicos do nicho da ficção científica. 

Por isso mesmo, é natural que surjam especulações sobre a natureza dos sistemas políticos, econômicos e sociais representados pela Federação Unida de Planetas.



Afinal de contas, se a distopia é nitidamente derivada do horror e do colapso final capitalista, a utopia seria a sua antítese comunista.

Sociedade Comunista seria a base das atividades da Frota Estelar?


Antes de procurarmos responder diretamente à pergunta-título, é necessário considerarmos que Star Trek é um produto da grande e poderosa indústria cultural estadunidense.

Como tal, tem como objetivo o lucro. Tem como finalidade ser vendida no mercado interno e externo, gerando também toda uma cadeia rentável de produtos derivados, como quadrinhos, livros, roupas, colecionáveis, grandes eventos, cruzeiros...

É um negócio lucrativo para os detentores da marca Star Trek e também para uma infinidade de outros empresários em todo o mundo.



É possível falarmos ainda assim de uma sociedade comunista que seria a base das atividades da Frota Estelar e portanto da maior parte dos personagens vistos na tela?

É possível que, por trás de um produto típico da indústria cultural capitalista, ainda assim esteja escondida (ou nem tanto assim) uma ética comunista?

Nem tanto ao céu (ou espaço), nem tanto à terra.

Star Trek, por ser produto de uma grande empresa, sempre carregará traços maiores ou menores da sua filosofia. 

Mas a empresa não faz nada sozinha. 
Quem cria Star Trek são os trabalhadores intelectuais e os técnicos. Dentre os principais trabalhadores por trás do sucesso de Star Trek estão os roteiristas. 

Eles estão no centro da produção. E, como temos visto ao longo de cinco décadas, eles são em geral bastante críticos.



É a crítica social desenvolvida por gerações de roteiristas envolvidos com Star Trek que formatou a ficcional Federação Unida de Planetas e os seus valores de igualdade, liberdade, tolerância, cooperação e paz.

É a insatisfação desses roteiristas com o presente - com o ethos capitalista e imperialista - que os levou a criar, olhando para o futuro, uma das mais importantes marcas de Star Trek: a crítica ao capitalismo e o sonho de uma sociedade pós-capitalista. Ambas estão amalgamadas na Federação.

Gene Roddenberry, criador de Star Trek, era comunista?



Gene Roddenberry foi o primeiro a concebê-la como uma sociedade onde os seres humanos, convivendo com diversas espécies alienígenas (representações da diversidade étnica e cultural da humanidade) superaram as primitivas formações sociais baseadas na acumulação de riqueza. 

Podemos dizer que Roddenberry era um comunista? Não. Mas seu sonho aproxima-se de maneira impressionante ao comunismo.


Na Federação Unida de Planetas os valores principais giram em torno da cooperação e do conhecimento. 

O comandante Benjamin Sisko já elucidava essa questão logo no primeiro episódio de Deep Space Nine:

"A coisa mais importante a entender sobre os seres humanos é que o desconhecido define nossa existência. Estamos constantemente procurando, não apenas respostas a nossas perguntas, mas novas perguntas. Somos exploradores. Exploramos nossas vidas dia a dia , e exploramos a galáxia, tentando descobrir as fronteiras de nosso conhecimento, e é por isso que estou aqui — não para conquistá-los com armas ou ideias, mas para coexistir… e aprender". (DS9, Emissary, 1993).


Star Trek: Comunismo internacional e interplanetário


Além disso, a Federação se distingue por aquilo que chamaríamos dentro do movimento comunista de internacionalismo.

Ou seja, a busca por uma grande união de povos que têm como objetivo o bem comum da humanidade. Sem exploração entre homens e nações. “Uma terra sem amos: a Internacional”, descreve poeticamente o hino dos comunistas. 

Porém, o comunista sabe que o internacionalismo não é sinônimo de homogeneização cultural. Ele convive perfeitamente com as identidades nacionais, que jamais são suprimidas em benefício de um ideal abstrato de comunismo. 

Domenico Losurdo, apoiado em Gramsci, esclarece a questão: “O internacionalismo não tem nada a ver com o desconhecimento das peculiaridades e identidades nacionais que continuarão a subsistir muito depois da queda do capitalismo” (LOSURDO, 2004, p. 121–122).

Não é isso a Federação? Mas alguns críticos, pensando nesta, que claramente apresenta formas estatais, argumentarão: “na sociedade comunista o Estado deixa de existir”.



Esta é uma visão utópica e messiânica do comunismo. Ela remete ao fim da história e de toda e qualquer contradição que adviria do mundo comunista. 

Com o término das contradições capitalistas novas contradições apareceriam, sem dúvida menos intensas e cruéis como as atuais. Mas ainda existiriam. 

Há a ideia de que o Estado surge na sociedade civil e se opõe a esta, sendo, por fim, reabsorvido por essa no comunismo.

Gramsci coloca em discussão a tese de extinção do Estado apontando que a própria sociedade civil é uma forma de Estado.

Além disso, é lícito pensar que com o desenvolvimento da sociedade comunista a função repressora do Estado tende a desaparecer dando lugar às funções econômicas e culturais, que percebem enorme progresso. Obviamente, alguma forma de coerção, ainda que mínima, continuará existindo.



Não é exatamente essa forma de Estado que encontramos representada na Federação Unida de Planetas? 

Ela não é uma associação de centenas de civilizações, com diferenças culturais consideráveis, porém unidas em um propósito de cooperação e paz? 

Uma reunião de povos sob a mesma bandeira, sob um governo central (Conselho da Federação) porém cada um deles mantendo sua própria língua, cultura, práticas ancestrais etc.?

Esta total liberdade cultural que vigora sob uma única bandeira pode ser verificada tanto em nível galáctico (basta pensar em vulcanos, humanos, andorianos, telaritas etc.) quanto na Terra, quando vemos Joseph Sisko com sua culinária creole ou Picard produzindo seu vinho tipicamente francês.

Ao mesmo tempo não constatamos que o Estado conhecido como Federação Unida de Planetas deixa de lado a repressão e investe na aquisição de conhecimento e no compartilhamento de suas descobertas?

Evidentemente, há o caso dos Maquis, que possuem uma causa justa, contra o imperialismo cardassiano associado momentaneamente à Federação e são reprimidos por esta última. 



Mas não é essa uma exceção (embora vergonhosa) e que cabe perfeitamente nas contradições que ainda não cessaram e no processo de longa duração de implementação de uma sociedade não opressiva? 

De qualquer forma, lembremos que a coerção ainda existirá - mesmo que diminuta - como de fato existe na Federação.

Star Trek, Comunismo e Sociedade Pós-Capitalista



Como visto, ao perguntarmos se a Federação é uma sociedade comunista encontramos muitas dificuldades pelo caminho.

Desconsiderando os fãs incapazes de compreender que, no mínimo, a Federação assume a forma de uma sociedade pós-capitalista, alguns comunistas — em geral aqueles que atacam as revoluções russa, chinesa, vietnamita, coreana e cubana — entenderão que a resposta é não.

Afinal, para eles, não é possível o comunismo com Estado e o comunismo nacionalista, que preserva e sustenta a cultura nacional, sobretudo frente ao imperialismo.

Já para um outro tipo de comunista, dentre os quais me incluo, a resposta poderá ser afirmativa.


 
A Federação é uma forma de Estado que promove a igualdade e a liberdade como valores coetâneos e complementares, existindo como ente econômico, cultural e político pertencente a diversos povos associados. 

Embora nela ainda exista um mínimo de coerção, não há mais espaço para a opressão de classe ou contra identidades nacionais, elementos indissociáveis e indispensáveis para a construção do comunismo.


Referência

LOSURDO, Domenico. Fuga da história? A revolução russa e a revolução chinesa vistas de hoje. Rio de Janeiro: Revan, 2004.

***

Eduardo Pacheco Freitas é professor e historiador. Apresenta o canal "Apenas um Trekker".

É autor de Star Trek: Utopia e Crítica Social (2019) e O’Brien deve sofrer! (2021).

Os livros podem ser encontrados no link a seguir: https://linktr.ee/livrosstartrek

Eduardo Pacheco Freitas
Historiador (CRP-023/RS)


sábado, 28 de maio de 2022

Café com Gibi 66: Jibaro, a Natureza e o Homem



 Nesse episódio:

Lucas comenta sobre sua interpretação sobre o episódio 3x9 de Love, Death and Robots, Jibaro.

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quinta-feira, 26 de maio de 2022

Café com Gibi 65: Moebius sobre os Cuidados de um Artista



 Nesse episódio:

Lucas fala sobre as reflexões de Moebius em uma entrevista, quando fala sobre os cuidados que um artista / gênio deve ter.

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Escolhemos nossas 6 séries favoritas do selo Vertigo
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Com o anúncio feito pela DC do fim do selo Vertigo em 2020, completando quase 30 anos, nós resolvemos indicar 6 das nossas séries favoritas do selo. Mas já deixamos aqui a nossa previsão: Esse fim do selo Vertigo com certeza é temporário e daqui um tempo vai voltar.


Preacher



Uma das séries mais queridas dos leitores da Vertigo, Preacher conta a história de Jesse Custer,  um pastor sem fé que ganha, por acaso, um poder caído do céu e se vê às voltas com demônios, anjos e vampiros e outras coisas ainda mais bizarras.

Com personagens carismáticos e um roteiro quase sempre dinâmico e perturbador ainda hoje é referência quando se fala em Vertigo.

Escrita por Garth Ennis e desenhada por Steve Dillon (dupla de Hitman). Lançada em 1995 é composta por 75 edições.

Hellblazer



O investigador do oculto John Constantine foi
criado por Alan Moore para aparecer nas histórias do Monstro do Pântano, o personagem acabou arrebatando os leitores e ganhou série  própria.

É a série mais longa da Vertigo.

Passou pelo personagem ao longo dos anos autores como Garth Ennis (antes de começar em Preacher), Paul Jenkins, Warren Ellis e Brian Azzarello.

Sandman



O maior ícone do selo Vertigo Sandman se tornou uma das mais renomadas HQs de todos os tempos.

Escrita por Neil Gaiman (Livros da Magia)  e desenhada por inúmeros artistas: Bill Sienkiewicz, Charles Vess, Milo Manara e muitos outros.

A história acompanha a saga do rei do sonhar e sua interação com um universo vasto e enigmático. Começou a ser publicada em 1988 e foi até 1996 contando com 75 edições.

Sandman está com série prestes a estreiar na Netflix.


V de vingança



Originalmente foi publicada em uma revista Britânica em 1983,  a série inacabada foi ressuscitada pela Vertigo em 1988, Alan Moore (Watchmen)  junto com os desenhistas David Lloyd e Tony Weare finalizaram a série.

A história se passa em um futuro distópico que mostra uma Inglaterra Fascista e as ações de um anti-herói contra o sistema.

Questões político-filosóficas são abordadas como é costume nas obras de Moore e a arte de Lloyd, principalmente nos primeiros números, é muito peculiar, originalmente  toda em preto e branco.

Os Invisíveis



Publicada pela Vertigo de 1994 a 2000,  é a obra-prima de Grant Morrison (Homem-Animal).

O autor faz um mesclado amalucado com universos paralelos,  Mitologia, sociedades secretas e cultura pop.

Ela é lembrada muitas vezes pela declaração polêmica de Morrison de a série tinha sido passada para ele por alienígenas que o haviam abduzido.

Y, o último Homem



A história conta como seria o mundo quando uma praga o atinge matando todos os mamíferos machos da Terra.

O protagonista, Yorick Brown se torna o único homem que sobrevive ao evento.

Em um mundo Pós-apocalíptico vemos a sociedade se reorganizar de maneira caótica.

Embora o tema em sí seja bem sério na série existe bastante situações cômicas enquanto acompanhamos as desventuras de Yorick.

Escrita por Brian K. Vaughan (Saga) e arte de Pia Guerra.


E você? Também vai sentir falta da Vertigo? Qual a sua série favorita do selo que nao está aqui? Comente aí :-)