8 perguntas para a Ultramen

Em 2002 a Banda Gaúcha Ultramen lançou o álbum "O incrível caso da música que encolheu e outras histórias" 17 anos depois o álbum está sendo relançado, agora nas plataformas digitais, juntamente com o videoclip inédito da música "3".

Formada atualmente por, Tonho Crocco (vocal), Dj Anderson (toca-discos), Zé Darcy (bateria), Malásia (percussão), Leonardo Boff (teclados), Pedro Porto (Baixo), a banda concedeu uma entrevista para o site Oldie Nerd e falou sobre musicalidade, ativismo político e muito mais. 

- Oldie Nerd: Como a banda foi formada?

- Malásia: O Zé Darcy (bateria) e o Pedro Porto (baixo) eram colegas na faculdade de biologia, da UFRGS. Em algum momento, resolveram botar em prática uma banda que misturasse som pesado com black music e vocal de rap. Era o famoso funk metal do início da década de 90. Na sequência, entrou o Julio Porto (irmão do Pedro) na guitarra. Depois de compor uns sons em inglês e com o Zé no vocal, eles buscaram um vocalista e acharam o Tonho Crocco no Colégio Julinho. 
Depois disso, eu, que tinha uma banda com o Zé, fui chamado para um ensaio e fiquei. Na sequência, entrou o Peru no sax. 
Essa formação inicial gravou duas demos, em 1993 e 1995. Em 1996, o Peru saiu e entrou o Marcito na percussão. Foi com essa formação que a gente gravou os primeiros dois discos, “Ultramen” e “Olelê”, que consolidaram a Ultramen no cenário musical.

- Oldie nerd: Quem acompanha a banda desde o início percebe a versatilidade e as várias influências que vocês têm. Como fazem para decidir por qual caminho seguir em determinada música ou mesmo em um determinado álbum?

- Malásia: Pergunta complexa. Não existe uma fórmula rígida. Os arranjos são sempre coletivos, mas já teve música feita por um só, por alguns de nós, por todos. 
Geralmente, quem faz as letras é o Tonho, mas há casos em que foi um de nós ou amigos. Tem o caso da música “Olelê”, cujo refrão foi feito pelo DJ Anderson nos toca-discos. Acho que a gente sente o que a música precisa e vai agregando os elementos pouco a pouco. É como lapidar um diamante. Às vezes, a música fica muito diferente da ideia original, e eu acredito que a beleza da composição é a liberdade no processo.


- Oldie Nerd: A banda teve uma longa pausa de 5 anos. Como esse hiato mudou a sonoridade ou proposta de vocês, se é que algo mudou?

- Malásia: Acredito que a coisa mais notável é que todos puderam se dedicar com vontade a outros projetos musicais e de vida. Isso trouxe um grande amadurecimento e uma evolução pessoal que reflete diretamente no som feito hoje.
- Zé Darcy: No meu modo de ver, a sonoridade é basicamente a mesma, mas algumas influências perderam terreno, como a música brasileira, e outras ganharam, como o raggamuffin'.

- Oldie Nerd: Como já foi falado, as influências da banda são inúmeras, mas hoje, o que vocês estão escutando e o quanto isso influencia hoje no grupo?

- Malásia: Eu ouço muito jazz, soul, música africana, dub e instrumental de vários estilos. Todo mundo ouve muita coisa diferente e, de alguma forma, acaba tudo entrando na receita.


- Oldie Nerd: Nos anos 90, havia um movimento grande das bandas em torno de questões políticas e sociais, O Rappa, Mundo Livre, Planet Hemp, Nação Zumbi e Ultramen são exemplos disso. Nos dias de hoje, esse movimento contestador na música parece ter diminuído. O que vocês acham?

- Malásia: Eu não concordo. É só ver o trabalho do Criolo, BaianaSystem e Bia Ferreira, só para citar alguns exemplos, para ver que tem muita gente com trabalho autoral antenado na dura realidade do país
Claro que, se focar somente no entretenimento, a gente vê que existem estilos muito populares que não ligam para isso, mas tem toda uma nova geração que está muito ligada nas questões sócio-políticas.

- Oldie Nerd: A banda lançou seu primeiro álbum nos anos que antecederam a transição da indústria musical, do analógico (de grandes gravadoras e distribuições) para o digital, onde a possibilidade de gravação, distribuição e mercado independente afloraram. Como foi viver esse momento?

- Malásia: Pegamos todas as mídias possíveis: K7, dat, adat, MD, MP3, vinil e streaming. Creio que cada uma teve sua utilidade, mas acabamos de lançar disco em vinil, K7 e CD. Nunca ouvi o disco novo em CD, porque não tenho mais onde reproduzir. Para conhecer novos sons, para mim, é streaming e MP3. Para ouvir, é K7 e vinil.

- Oldie Nerd: Sobre o álbum mais recente, "Tente Enxergar", dá pra notar letras com um toque existencialista. Isso é a idade chegando (risos)?


Tonho Crocco: Legal essa percepção das letras do "Tente enxergar", que tem este contexto existencialista, talvez seja um pouco por esse hiato, que a gente ficou muito tempo separado, desde de 2008, sem compor nada, e aí a partir desse momento que a gente começa a compor, foram quase 7 anos sem a gente estar juntos, então com certeza mudou, a gente cresce.
Também falamos sempre sobre causas sociais e letras um pouco mais politicas, não que elas não continuem sendo politicas, mas o jeito de ver a política, ela pode ser mais introspectiva, talvez um pouco mais "familiar" no caso.
Então aí vai, várias experiências minhas, fui pra Índia, todos na banda viajaram bastante, eu morei em Nova York, 6 meses, fiz uma turnê na Europa, toquei na França, toquei em vários lugares, então isso realmente me abriu a cabeça pra escrever sobre outras coisas, mas com certeza ainda tem muito das coisas que a Ultramen sempre falou, a gente fala do Tutti na Borges de Medeiros, fala dos Lanceiros Negros,  então, continua sendo politico, continua sendo social e também com existencialismo e talvez um pouco de espiritualidade.

- Oldie Nerd: Se vocês pudessem escolher algum músico de qualquer época para fazer uma participação com a Ultramen, quem seria?

- Zé Darcy: Tom Waits.
- Malásia: Beastie Boys, mas como a banda não existe mais, Lee Perry.

- Oldie Nerd: Queriam deixar um último recado ou comentário para os leitores?

- Malásia: Gostaria de agradecer a parceria e enfatizar que a música reflete o seu tempo, mas é muito melhor quando ela soa atual, como no caso de “3”, que motivou o vídeo produzido por vocês. A gente ficou muito feliz com o resultado final. Valeu!

- Oldie Nerd: Nós é que agradecemos,  ficamos muito felizes de poder participar de um projeto com uma banda que somos muito fãs e admiramos de coração, valeu muito mesmo. Obrigado!



Confira o Clip da Música 3 (produzido pelo Oldie Nerd :-) no canal da Ultramen no YouTube  clicando aqui





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Crédito das fotos desse post: Ricardo Lage (divulgação)

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2 comentários:

  1. Sensacional. Queria achar um epsaço pra parabenizar os que conceberam o clipe. A banda eu já parabenizei muitas vezes. Vocês fizeram um trabalho sensível e maravilhoso. Isso nos motiva a seguir insistindo com a arte como saída

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    1. Ficamos muito mas muito contentes que vc tenha gostado, pq nós amamos trabalhar nesse projeto com a Ultramen, por saber q essa musica representa tanta coisa em um momento como esse que estamos passando, 17 anos depois e continua mais atual do que nunca. Abraços.

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